Enfim, se uma palavra fosse trocada, se alguns segundos fossem alterados, troca de olhares estivessem sido mais intensas, tudo podia ter sido diferente...
Será que era o céu? Ou apenas um sonho? Devaneio, talvez. Não acreditava que estivesse frente a pessoa amada, a pessoa por quem sonhou durantes todos os anos. Quantos suspiros foram dados? Quantas noites passou insone, procurando alguma pista, algo que levasse de encontro aquele simples estranho que acabou encantando com apenas trocas, casuais (?), de olhares.
No ínicio, tentou não acreditar. Tudo estava sendo parte de um sonho maior. Viagem com os amigos, diversão, curtição. Mas, eis que numa determinada tarde, tudo mudou. Ao mero acaso, parou em frente a alguém que marcaria ainda mais aqueles momentos, que ficaram eternizados na memória. Seria possível surgir uma paixão por alguém que não se conhece? E se, ao primeiro papo a pessoa só falasse futilidades? E se só fosse um interesse momentâneo? Não, não era paixão, começou com um interesse. Mas, o destino, ahhh... o destino! Parece que resolveu pregar uma peça, colocou aquelas duas pessoas, mais uma vez, de frente a outra. E a coragem pra falar algo? Falar o que? "Oi, esse é meu nome.", seria uma alternativa. Mas, vai dizer isso a um coração acelerado, a uma mão que sua, a um corpo que clama por outro. Falar sobre o tempo? Que clichê, poderia até funcionar, mas, cadê a coragem?
Como aquele momento não foi eternizado, a troca de olhares acabou. Teria sido mesmo uma troca? Haveria uma retribuição? As vezes, olhamos pessoas somente por olhar, sem um motivo maior, ou segundas intenções. Preferiu não pensar nisso, fantasiou uma ilusão de que estava sendo correspondido. Depois do termino da situação passageira, cada um seguiu seu rumo, mais, um coração já não voltava como antes, carregava um certo interesse. Nos dias que se passaram, imaginou situações, possíveis reencontros. Nos sonhos, tudo é possível, e sendo assim, a coragem chegaria e iria de encontro ao tal estranho, não deixaria passar perdida outra oportunidade. Sem saber nome, cidade, número de telefone, como encontrar? Procurar desesperadamente na internet, seria uma opção. Ao contar para os amigos a história (já tinha uma história formada?), virou motivo de deboche. Numa viagem, em outra cidade enorme, em um evento que reunia uma multidão de pessoas, fantasiar algo era pura infantilidade. Sempre sozinho, tentou esconder até de si mesmo, guardando as esperanças no mais profundo dos seus sentimentos.
Outro dia de atividade congressista. A esperança veio a tona. Os olhos percorriam todo o ambiente, e nada. Era melhor mesmo esquecer. Até que, como nos romances que lia, a pessoa surge. Seria aquilo real? Só tinha visto algo assim em novelas ou afins. Em meio a tanta participação, a tantas reuniões de diversos temas, um evento de tão grandes proporcões, coincidiram numa outra palestra. Bom, isso já era um ponto positivo, podia dizer que tinham gostos parecidos. Correu para o banheiro, até que julgou a sua aparência bacana, tomou fôlego para ir de encontro e puxar assunto, por mais simples e besta que parecesse, não podia perder a, tão sonhada, chance. Quando chega bem próximo, as pernas bombeiam e a coragem? Ela tinha fugido. Ficando sem ação, senta ao lado, o tempo passando rápido demais. Até que, começa a palestra. A posição de lugares não ajudou muito, tinha que ser discreto nos olhares, temia uma reação que acabasse com toda aquela ilusão(?).
Temendo se apegar ainda mais (seria possível, uma vez que, o avanço era notório), resolveu sair do recinto. Se fosse mesmo pra ser, o destino, que já tinha proporcionado diversas situações, que ajudasse mais uma vez. Não é que ele respondeu positivamente?! Não. Pensava consigo. Isso só existe em cinema. Ficou bestificado ao encontrar em outro local, completamente diferente do que estava acontecendo o evento, que, se não fosse por insistência do seu amigo, optaria por outra diversão naquele momento. Era um sinal. Mais uma vez, fantasias povoaram a sua mente. Mais uma troca de olhares. O que fazer? Um local muito movimento, a outra pessoa estava acompanhada, e o olhar, dessa vez, foi bastante casual. Já concordava que, mesmo não acontecendo nada, tinha valido a pena a situação. Teria algo pra contar, guardaria lembranças consigo, quem sabe num próximo evento... Tudo era possível, agora acreditava em histórias assim. Seguiu seu caminho. No outro dia, estaria voltando para casa, para o seu Estado pequeno, e, o que mal havia começado, teria um fim, permanecendo vivo nos seus sonhos. Arrumou-se para sair a noite, na tentativa de esquecer aquilo que já mexia consigo. Esperanças? Ainda tinha. A mais profunda verdade é dizer que ela é a última que morre. E não é que, o seu "conto de amor", tinha virado realidade. Falou rapidamente a sua amiga, que soltou um "ohh... que bonitinho", quando viu a pessoa, ao mero acaso, numa rua que não pretendia nem sequer passar, naquela última noite na cidade. Pronto, enlouqueceu. Tentou seguir, até tomou coragem e chamou, mais, sua negatividade e o medo de que, aquele início, tivesse um fim trágico, acabaram travando as suas pernas. Agora sim, poderia dá um fim a essa história, foi a única vez que veria, acordaria bem cedo no outro dia, e embarcaria.
Como pode, um ser que nem sabia o nome, encantar e marcar presença em tão pouco tempo? Tem coisas que são incompreensíveis, só sabe quem vive. Mesmo não sabendo nada a respeito, um sentimento já havia se formado. Coração é terra que ninguém nunca andou, dizia uma velha amiga sua. Tinha que concordar. O seu, resolveu lhe pregar uma peça. Ficar marcado por alguém que, nunca mais veria? Que, na certa, estava a quilômetros de distância, num país de vasta extensão. E que motivos teve para se apaixonar? "Quem um dia irá dizer, que existe razão nas coisas feitas pelo coração? E quem irá dizer que não existe razão?", já cantava Renato Russo.
O fato é que, essa história permaneceu viva na lembrança. Entrou em contato com diversas pessoas que estavam presentes no evento, e ninguém sabia de nada. Também com uma simples descrição, e sem saber nome ou estado, não seria nada fácil. Mesmo assim, tentou, até dizer basta. Foi a outras edições anuais do evento, mais, parece que o destino só queria cooperar uma única vez.
Seguiu em frente, dando livre percusso a vida. Conheceu novas pessoas, se interessou por algumas, se apaixonou, e viveu junto com alguém, que preenchia as suas reinvidicações amorosas. No fundo, sempre guardando aquela lembrança, aquela história que, duvidava se tinha realmente existido, parecia um sonho, uma coisa que tinha acontecido em outra vida, ou estava querendo dar vida a personagens de um romance de sua preferência.
O tempo passou, envelhecido, lembrava com alegria dos tempo de mocidade, da tal viagem que tinha feito com grandes amigos. Por onde andavam eles? Resolveu olhar aquelas velhas fotografias, amareladas pelo tempo. A história resurgiu em sua mente. Por onde andaria aquele estranho? Daria cada fio de cabelo branco para descobrir.
Um dia, a aurora do termino dos dias resolveu visitá-lo, encontrando solitário numa cadeira de balanço, num sítio afastado do barulho da cidade grande. Os vizinhos, encontram depois de dois dias, a respiração ofegante, moribundo em cima de uma cama. Levaram para o hospital mais próximo. Já não sabia ao certo se estava vivo ou morto. O que era real. A visão, embaçada, não colaborava em nada. Não sabe por quando tempo permaneceu naquele estado. Sonhava. Em um desses sonhos, ele chegava. Aquele amor, aquele que durou apenas um final de semana, que nem chegou a se concretizar, aquele que sobreviveu de troca de olhares, veio ao seu encontro. Estranho, mais reconhecia, mesmo tão mudado pelo tempo. O coração soube reconhecer. Não havia mais tempo para perguntas. Ele se aproximou, foi o bastante, mais uma troca de olhares, dessa vez, teve a certeza, leu naquele outro, que, mesmo não se conhecendo, não sabendo nome, não tendo trocado um aperto de mão, o amor, o sonho tinha sido correspondido. Podia dizer que, tinha vivido um grande amor, pois aprenderá durante tanto tempo de vida, que o sentimento verdadeiro vai além do tempo, vai além do espaço, vive, cresce, se nutre na liberdade, e na certeza que, esteja onde estiver, viver o que a vida lhe oferecer, basta que a outra parte esteja presente no universo, para que a força se liguem por linhas invisiveis, linhas que, somente o Criador, pode entender e ligar, fazendo com que o amor reine. Agora entenderá porque, por mais que se apaixonasse, nunca preenchia todo o seu vazio, sempre ficava algo faltando. A sua alma gêmea existia, talvez, não fosse necessariamente nessa vida o momento de se encontrarem e viverem juntos, talvez ambos tivessem que aprender, amadurecer para o que o amor se concretizasse. Um turbilhão de pensamentos passou em segundo por sua mente. A verdadeira felicidade veio ao seu encontro. Outra troca de olhares. O preenchimento da alma. Um simples toque, um aperto do mão. O amor atinge o ápice, viveu para aquele momento. A vida, tinha valido a pena por alguns instantes. Como explicar? Não era necessário, bastava viver. Mais um profunda troca de olhares, o toque na pele. Seus olhos fecharam-se para sempre.
xD
