sábado, 19 de setembro de 2009

Enfim, se uma palavra fosse trocada, se alguns segundos fossem alterados, troca de olhares estivessem sido mais intensas, tudo podia ter sido diferente...
Será que era o céu? Ou apenas um sonho? Devaneio, talvez. Não acreditava que estivesse frente a pessoa amada, a pessoa por quem sonhou durantes todos os anos. Quantos suspiros foram dados? Quantas noites passou insone, procurando alguma pista, algo que levasse de encontro aquele simples estranho que acabou encantando com apenas trocas, casuais (?), de olhares.
No ínicio, tentou não acreditar. Tudo estava sendo parte de um sonho maior. Viagem com os amigos, diversão, curtição. Mas, eis que numa determinada tarde, tudo mudou. Ao mero acaso, parou em frente a alguém que marcaria ainda mais aqueles momentos, que ficaram eternizados na memória. Seria possível surgir uma paixão por alguém que não se conhece? E se, ao primeiro papo a pessoa só falasse futilidades? E se só fosse um interesse momentâneo? Não, não era paixão, começou com um interesse. Mas, o destino, ahhh... o destino! Parece que resolveu pregar uma peça, colocou aquelas duas pessoas, mais uma vez, de frente a outra. E a coragem pra falar algo? Falar o que? "Oi, esse é meu nome.", seria uma alternativa. Mas, vai dizer isso a um coração acelerado, a uma mão que sua, a um corpo que clama por outro. Falar sobre o tempo? Que clichê, poderia até funcionar, mas, cadê a coragem?
Como aquele momento não foi eternizado, a troca de olhares acabou. Teria sido mesmo uma troca? Haveria uma retribuição? As vezes, olhamos pessoas somente por olhar, sem um motivo maior, ou segundas intenções. Preferiu não pensar nisso, fantasiou uma ilusão de que estava sendo correspondido. Depois do termino da situação passageira, cada um seguiu seu rumo, mais, um coração já não voltava como antes, carregava um certo interesse. Nos dias que se passaram, imaginou situações, possíveis reencontros. Nos sonhos, tudo é possível, e sendo assim, a coragem chegaria e iria de encontro ao tal estranho, não deixaria passar perdida outra oportunidade. Sem saber nome, cidade, número de telefone, como encontrar? Procurar desesperadamente na internet, seria uma opção. Ao contar para os amigos a história (já tinha uma história formada?), virou motivo de deboche. Numa viagem, em outra cidade enorme, em um evento que reunia uma multidão de pessoas, fantasiar algo era pura infantilidade. Sempre sozinho, tentou esconder até de si mesmo, guardando as esperanças no mais profundo dos seus sentimentos.
Outro dia de atividade congressista. A esperança veio a tona. Os olhos percorriam todo o ambiente, e nada. Era melhor mesmo esquecer. Até que, como nos romances que lia, a pessoa surge. Seria aquilo real? Só tinha visto algo assim em novelas ou afins. Em meio a tanta participação, a tantas reuniões de diversos temas, um evento de tão grandes proporcões, coincidiram numa outra palestra. Bom, isso já era um ponto positivo, podia dizer que tinham gostos parecidos. Correu para o banheiro, até que julgou a sua aparência bacana, tomou fôlego para ir de encontro e puxar assunto, por mais simples e besta que parecesse, não podia perder a, tão sonhada, chance. Quando chega bem próximo, as pernas bombeiam e a coragem? Ela tinha fugido. Ficando sem ação, senta ao lado, o tempo passando rápido demais. Até que, começa a palestra. A posição de lugares não ajudou muito, tinha que ser discreto nos olhares, temia uma reação que acabasse com toda aquela ilusão(?).
Temendo se apegar ainda mais (seria possível, uma vez que, o avanço era notório), resolveu sair do recinto. Se fosse mesmo pra ser, o destino, que já tinha proporcionado diversas situações, que ajudasse mais uma vez. Não é que ele respondeu positivamente?! Não. Pensava consigo. Isso só existe em cinema. Ficou bestificado ao encontrar em outro local, completamente diferente do que estava acontecendo o evento, que, se não fosse por insistência do seu amigo, optaria por outra diversão naquele momento. Era um sinal. Mais uma vez, fantasias povoaram a sua mente. Mais uma troca de olhares. O que fazer? Um local muito movimento, a outra pessoa estava acompanhada, e o olhar, dessa vez, foi bastante casual. Já concordava que, mesmo não acontecendo nada, tinha valido a pena a situação. Teria algo pra contar, guardaria lembranças consigo, quem sabe num próximo evento... Tudo era possível, agora acreditava em histórias assim. Seguiu seu caminho. No outro dia, estaria voltando para casa, para o seu Estado pequeno, e, o que mal havia começado, teria um fim, permanecendo vivo nos seus sonhos. Arrumou-se para sair a noite, na tentativa de esquecer aquilo que já mexia consigo. Esperanças? Ainda tinha. A mais profunda verdade é dizer que ela é a última que morre. E não é que, o seu "conto de amor", tinha virado realidade. Falou rapidamente a sua amiga, que soltou um "ohh... que bonitinho", quando viu a pessoa, ao mero acaso, numa rua que não pretendia nem sequer passar, naquela última noite na cidade. Pronto, enlouqueceu. Tentou seguir, até tomou coragem e chamou, mais, sua negatividade e o medo de que, aquele início, tivesse um fim trágico, acabaram travando as suas pernas. Agora sim, poderia dá um fim a essa história, foi a única vez que veria, acordaria bem cedo no outro dia, e embarcaria.
Como pode, um ser que nem sabia o nome, encantar e marcar presença em tão pouco tempo? Tem coisas que são incompreensíveis, só sabe quem vive. Mesmo não sabendo nada a respeito, um sentimento já havia se formado. Coração é terra que ninguém nunca andou, dizia uma velha amiga sua. Tinha que concordar. O seu, resolveu lhe pregar uma peça. Ficar marcado por alguém que, nunca mais veria? Que, na certa, estava a quilômetros de distância, num país de vasta extensão. E que motivos teve para se apaixonar? "Quem um dia irá dizer, que existe razão nas coisas feitas pelo coração? E quem irá dizer que não existe razão?", já cantava Renato Russo.
O fato é que, essa história permaneceu viva na lembrança. Entrou em contato com diversas pessoas que estavam presentes no evento, e ninguém sabia de nada. Também com uma simples descrição, e sem saber nome ou estado, não seria nada fácil. Mesmo assim, tentou, até dizer basta. Foi a outras edições anuais do evento, mais, parece que o destino só queria cooperar uma única vez.
Seguiu em frente, dando livre percusso a vida. Conheceu novas pessoas, se interessou por algumas, se apaixonou, e viveu junto com alguém, que preenchia as suas reinvidicações amorosas. No fundo, sempre guardando aquela lembrança, aquela história que, duvidava se tinha realmente existido, parecia um sonho, uma coisa que tinha acontecido em outra vida, ou estava querendo dar vida a personagens de um romance de sua preferência.
O tempo passou, envelhecido, lembrava com alegria dos tempo de mocidade, da tal viagem que tinha feito com grandes amigos. Por onde andavam eles? Resolveu olhar aquelas velhas fotografias, amareladas pelo tempo. A história resurgiu em sua mente. Por onde andaria aquele estranho? Daria cada fio de cabelo branco para descobrir.
Um dia, a aurora do termino dos dias resolveu visitá-lo, encontrando solitário numa cadeira de balanço, num sítio afastado do barulho da cidade grande. Os vizinhos, encontram depois de dois dias, a respiração ofegante, moribundo em cima de uma cama. Levaram para o hospital mais próximo. Já não sabia ao certo se estava vivo ou morto. O que era real. A visão, embaçada, não colaborava em nada. Não sabe por quando tempo permaneceu naquele estado. Sonhava. Em um desses sonhos, ele chegava. Aquele amor, aquele que durou apenas um final de semana, que nem chegou a se concretizar, aquele que sobreviveu de troca de olhares, veio ao seu encontro. Estranho, mais reconhecia, mesmo tão mudado pelo tempo. O coração soube reconhecer. Não havia mais tempo para perguntas. Ele se aproximou, foi o bastante, mais uma troca de olhares, dessa vez, teve a certeza, leu naquele outro, que, mesmo não se conhecendo, não sabendo nome, não tendo trocado um aperto de mão, o amor, o sonho tinha sido correspondido. Podia dizer que, tinha vivido um grande amor, pois aprenderá durante tanto tempo de vida, que o sentimento verdadeiro vai além do tempo, vai além do espaço, vive, cresce, se nutre na liberdade, e na certeza que, esteja onde estiver, viver o que a vida lhe oferecer, basta que a outra parte esteja presente no universo, para que a força se liguem por linhas invisiveis, linhas que, somente o Criador, pode entender e ligar, fazendo com que o amor reine. Agora entenderá porque, por mais que se apaixonasse, nunca preenchia todo o seu vazio, sempre ficava algo faltando. A sua alma gêmea existia, talvez, não fosse necessariamente nessa vida o momento de se encontrarem e viverem juntos, talvez ambos tivessem que aprender, amadurecer para o que o amor se concretizasse. Um turbilhão de pensamentos passou em segundo por sua mente. A verdadeira felicidade veio ao seu encontro. Outra troca de olhares. O preenchimento da alma. Um simples toque, um aperto do mão. O amor atinge o ápice, viveu para aquele momento. A vida, tinha valido a pena por alguns instantes. Como explicar? Não era necessário, bastava viver. Mais um profunda troca de olhares, o toque na pele. Seus olhos fecharam-se para sempre.
xD

domingo, 10 de maio de 2009

Segundo domingo do mês de maio, dia das mães.
Aproveitando o ensejo comercial, mesmo não sendo à favor da idéia em que seja possível comemorar o amor fraterno em apenas um dia, quero dedicar o post de hoje a pessoa que mais amo na vida: Dona Lêda.
Pois bem, essa mulher de fibra, com muita garra e força de vontade, a mãe mais linda e a melhor do mundo, foi a única pessoa que me deu um amor incondicional, incomparável, antes mesmo do meu nascimento, sem nem ao menos saber como seria, ela, simplesmente, acreditou na minha pessoa, protegendo, passando noites insones, fraquejando em silêncio, para transmitir uma fortaleza que me fez seguir adiante, me ajudou a crescer, tornando-me um homem.
Quantas foram as vezes que errei, que machuquei, mesmo sem intenção, mereci um castigo, uma bronca, uma agressão que viesse me corrigi, ao invés disso, vi uma palavra de conforto, de incentivo, demonstrando sim que tinha errado, mas falando que eu era muito maior do aquele erro, que serviria de lição para que não cometesse outros, e terminando, envolvia-me num abraço, num único abraço, que até hoje, não recebi outro igual.
A dona desse abraço, é a mesma que se acorda as 5:00 hs da manhã, sem nenhuma reclamação, com um largo sorriso no rosto, bate na porta do meu quarto, e vai preparar o café, com todo um zelo, de toda boa vontade. É ela que passa noites em claro, do meu lado, segurando a minha mãe, aguentando as minhas reclamações quando estou doente, nos momentos que não quero ver ninguém, torna-se invisível e diz que aquilo tudo logo passará. Companheira de comentários sobre os paredões do BBB, sobre as últimas atualizações do orkut, presentes nas noites insones de longas conversas e risadas.
Meu porto seguro, minha rocha, fortaleza, amor sem medidas, felicidade sem limites, minha paz.
Tentei não ser tão clichê, mas por você, eu não me importo: EU TE AMO!
Do seu (sempre!) pequeno,
Juninho.
xD

domingo, 3 de maio de 2009

"Sempre precisei de um pouco de atenção..."
Sexta-feira. 1º de maio. Feriado. Monotonia. Tédio. Solidão. Leitura. Nostalgia.
"... Acho que não sei quem sou, só sei do que não gosto..."
Em meio a tantos devaneios, acabo me perdendo. Uma espécie de linha muito tênue perpassa o meu humor, minha vida, meu cotidiano. Me sinto em pleno naufrágio, lembranças, saudades do que ainda está por vir, querem me destroçar.
"... E nesses dias tão estranhos, fica a poeira se escondendo pelos cantos..."
Traço planos, tento atingir metas, ocupar minha mente de todas as formas. Mas, confesso já não sou mais o mesmo. Tento esconder da minha mente, o que meu coração insiste em gritar.
"... Esse é o nosso mundo, o que é demais nunca é o bastante, a primeira vez é sempre a última chance..."
Acredito que, se pudesse voltar no passado, o meu futuro seria muito diferente. Essa crença, cai por terra, quando vejo que a possibilidade de diferença aponta para um grau pior de insatisfação. A vida deveria permitir ensaios.
"... Ninguém vê onde chegamos. Os assassinos estão livres, nós não estamos..."
Assim poderia ser notado, poderia ter feito algo que acabasse com esse infortúnio irritante, que é o achar que está só, sem a glória da vitória, sem o pódio de chegada. Cercado de muitas pessoas, mais numa eterna solidão.
"... Vamos sair? Mais não temos mais dinheiro, os meus amigos todos estão procurando emprego..."
Cadê aquelas pessoas que proclamaram tanto um grande amizade? Estão ocupadas. Cada um vivendo a sua vida, correndo atrás da própria felicidade. Os desencontros acontecem, as despedidas são inegáveis.
"... Voltamos a viver, como há dez anos atrás, e a cada hora que passa envelhecemos dez semanas..."
Tento voltar a ser uma criança, é impossível. A vergonha de pedir o colo de mãe, de parecer fraco, não saber lidar com o palavra crescimento, me impendem. Tudo vai passar.
"... Vamos lá, tudo bem, eu só quero me divertir, esquecer dessa noite, ter um lugar legal pra ir..."
Enquanto isso, tento me refugiar como posso. Escuto músicas... Me lembra alguém, momentos vividos, desligo o som. Leio um romance... Fala coisas que, no momento, não quero ouvir, que vem de encontro a esperança que me faz seguir em frente: tudo vai melhorar, será verdade?
"... Já entregamos o alvo e a artilharia, comparamos nossas vidas..."
Não! Não me entrego sem antes ter lutado, sem antes ter esgotado todas as minhas forças. Busco exemplos de glórias, de vencedores, busco alternativas que me façam ver além, um além positivo, a tão falada luz no fim do túnel.
"... E esperamos que um dia, nossas vidas possam se encontrar."
(Teatro dos Vampiros - (incompleta) - Legião Urbana)
xD

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Um dia desses, escutei a seguinte frase: "O amor não mata. O que mata é a fraqueza.".
Não! Não vou fraquejar agora. Logo agora, que já passei daquela fase de chorar pelos cantos de dor, de não sair de casa pra não te ver, ou sair para te ver. Justo no momento em que estou me recuperando, colocando as coisas em ordem, cuidando de mim, escondendo que ainda lembro e penso em você. Quando as cicatrizes já estão se fechando, a dor está caindo no esquecimento, o amor está se esvaziando.
Portanto, prometo a mim mesmo, revestirei a minha armadura, quando já estava pensando em aposentá-la. Farei isso quantas vezes forem necessárias. Mas, recuso o fraquejamento. Mergulho na minha ilusória fortaleza e vou seguindo. Vivendo cada dia de uma vez.
xD

domingo, 29 de março de 2009

E, se em meio a um turbilhão de acontecimentos, sua vida decide ficar de cabeça para baixo, sem tempo definido para voltar ao normal?
Ele, aquele menino sonhador, andava cheio de planos, feliz da vida, porque, tudo estava seguindo o rumo certo. Já não lembrava com tanta frequência do passado que, outrora lhe fizera um bem danado, mas hoje, bem, ele prefere não lembrar. Aprendeu a carregar as cicatrizes com a leveza de um vencedor solitário. Vencedor? Sim. Não importava que fosse para si, o que realmente tinha valor era a ostentação imaginada que ele colocava nessa vitória, como se fosse um troféu que ninguém nunca viu.
Porém, numa noite de sexta-feira, seu destino reservava uma grande surpresa. Mais uma das surpresas para as quais ele nunca estava preparado, não se acostumava, por mais que costumasse a existir. Veste a sua pesada armadura, que tanto machuca, e segue em frente. Escondendo entre lágrimas, todo o cansaço, toda a desesperança que insiste em permanecer. Ele já não é o mesmo. Algo mudou, mesmo não sabendo o que seja, a uma atmosfera diferente no ar que o cerca. Tenta se acostumar, porém, seus pulmões já não tem o mesmo vigor de antes. "Segue em frente, tudo vai passar. Você sabe muito bem disso! Quantas vezes já enfrentou situações parecidas com essa?". Uma voz insiste em fazer essas observações, e na vã tentativa de amenizar uma dor que permanece em seu peito, acaba se agarrando a elas com uma vivacidade voraz.
Agora, tudo para ele é futuro. Coloca todos os seus planos no terreno do amanhã. Vive o hoje, como um figurante participa de uma cena qualquer. Há tempos deixou de ser o protagonista da sua história. Ciente disso, a dor se atenua cada vez mais.
xD

quarta-feira, 4 de março de 2009

Há tempos que não faço nenhuma postagem, tanto aqui no blog, quanto no fotolog. A que motivos se deve essa ausência? Ao turbilhão de acontecimentos que o ano de 2009 trouxe consigo para a minha vida.
Pra quem reclamava de uma certa monotonia, minha vida deu um giro enorme. Vivi momentos de tamanha e completa intensidade, situações ímpares, pequenos detalhes que fizeram todo uma diferença nessa minha andança. E, acabei deixando de relatar algumas destas coisas aqui no blog. Quando vir me dá conta, tinha um acúmulo enorme de informações para transmitir, não sabendo por onde começar e, sempre adiando para o outro dia. O que resultou nesse "abandono" momentâneo.
Pretendo ser mais assíduo, continuar esse diário eletrônico, e começar uma nova fase em minha vida, que, por sinal, já começou muito boa, e estou fazendo ser eterna enquanto durar. No mais, é isso. Nas próximas postagens comento sobre as situações, mudanças e afins.
xD

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Fiquei puto com um episódio que aconteceu comigo hoje.
Estava na sala de espera, de um salão de beleza, que costumo frequentar a um tempo, por volta das 13:30h, num calor escaldante de início de verão. Na vã tentativa de que o tempo transcorresse mais rápido, decido pegar algumas revistas para me ajudar. Dirijo-me a banca do cabelereiro, onde se encontram um amontoado de exemplares. Quando chego perto, vejo que se trata de várias edições da revista Playboy, um fato que achei bem comum, devido a grande concentração do local ser do sexo masculino. Pego três exemplares, para não ter que ficar me levantando toda hora, visto que, ainda tava longe de chegar a minha vez de ser atendido. No rápido espaço de tempo que volto ao meu lugar, o dono do estabelecimento, que até então se mantinha ocupado no corte de cabelo, me chama e fala bem baixinho, como se tivesse me confessando algo: "Ei... Essas revistas, não permitimos a leitura quando tem mulher no recinto, para não ficar uma situação constrangedora. Faça assim, pegue uma daquelas ali (aponta para outras edições, só que de revistas de fofocas e sobre telenovelas), e fique a vontade."
Mediante a situação, não consegui formular uma resposta. Sabe aquele momento, que dá um branco total, somente depois é que a gente diz: "poxa, deveria ter dado essa resposta, só assim isso não aconteceria mais", foi o que me aconteceu. Na minha mente, saltaram um bocado de interrogações, dentre elas: 1- porque, se o proprietário sabe que, seja uma vez ou outra, vai haver mulher no local, ele insiste em deixar as revistas lá?; 2- constrangimento? vai me dizer que a senhora, que estava a uma pessoa depois do meu lado esquerdo, ia ser curiosa ao ponto de não tirar o olhar do que eu estava vendo, mesmo que isso, de alguma forma, ferisse a honra dela; 3- as mulheres, frequentadoras daquele local, nunca se viram nua? A ponto de estranhar outra, do mesmo sexo, pelada.; 4- porque será que é tão "vergonhoso", falar, ler, questionar, fazer qualquer coisa relacionada a sexualidade, e tão fácil e simples, até rotineiro, discutir e assistir cenas de mortes e violência? Seria uma nova espécie de sadomasoquismo?
Como me arrependo de não ter respondido nada, de não ter agido de nenhuma forma. Acabei contribuindo para que essa situação se repita com outras pessoas. Quanta hipocrisia social, quanto preconceito. Não quero nem comentar a fala do Papa Bento XVI, a respeito dos homossexuais. Ao invés de progredimos, estamos retrocedendo a cada instante. Pessoas alienadas acabam contribuindo para essa situação, por acatarem o que um "superior" impõe. Chegaaaaaa! Cadê o espírito natalino, o amor ao próximo, como a ti mesmo?
xD